Geociclo inaugura a segunda fase da unidade de Uberlândia

Geociclo inaugura a segunda fase da unidade de Uberlândia

Ampliação da unidade elevará a produção do Geofert para 140 mil toneladas por ano até 2016

A Geociclo, empresa nacional de biotecnologia, concluiu a ampliação da segunda linha da unidade de Uberlândia, onde é produzido em larga escala o Geofert, fertilizante organomineral classe A. A ampliação da fábrica, situada na região industrial de Uberlândia (MG), elevará a capacidade de produção da planta das atuais 40 mil toneladas por ano para 140 mil toneladas por ano, a partir de 2016, o que representará um aumento de 250% frente à capacidade atual da unidade. A expansão significou um investimento de R$ 35 milhões, que incluiu Pesquisa e Desenvolvimento de produtos e novas soluções, aquisição/importação de novos equipamentos e na ampliação da unidade de 17 mil m² de área.

Atualmente, a unidade se encontra em fase de “ramp up” (aumento gradativo da produção) e a expectativa é de que em meados 2015, a unidade atinja o regime de produção que resultará em 80 mil toneladas por ano de Geofert. Com isso, a Geociclo passará a contar com a maior planta de fertilizantes organominerais do Brasil.

Aliado ao aumento da capacidade produtiva, a Geociclo também investiu na abertura de novas representações comerciais que atenderão os mercados de Bahia, Goiás, São Paulo, e também aumentou equipe que atua em Minas Gerais. Dessa forma, além de aumentar a sua forte participação no segmento de cana-de-açúcar, que registra grandes volumes de vendas graças aos excelentes resultados obtidos pelos clientes, a empresa planeja aumentar a sua participação nas culturas de milho, café, grãos, hortifruti e nas áreas de reflorestamento. A diversificação é reflexo dos investimentos feitos pela empresa em inovação, com foco no aprimoramento dos produtos para os diversos tipos de clientes e culturas agrícolas.

Fundada em 2007, a Geociclo dedicou cinco anos de trabalho na pesquisa e desenvolvimento do fertilizante Geofert, fabricado a partir de resíduos provenientes do agronegócio. Além da planta de Uberlâdia, a Geociclo planeja ainda a construção de novas fábricas nos estados de Mato Grosso, Goiás e São Paulo.

Produção em larga escala

A primeira fábrica da empresa iniciou a produção, em setembro de 2012, em Uberlândia, no Estado de Minas Gerais. Após operar em fase piloto durante esse período, a Geociclo produziu, em 2013, 15 mil toneladas de fertilizantes.  Em 2014, essa capacidade foi duplicada e deve alcançar a marca de 36 mil toneladas de fertilizante organomineral. Atualmente, a empresa conta com 140 funcionários próprios.

A fábrica está situada estrategicamente, na BR-365, a 28 quilômetros de Uberlândia. Esta localização facilita a logística de entrega dos produtos e o fornecimento de resíduos. Além disso, a região da unidade está cercada de consumidores do fertilizante.

Com a entrada em operação da segunda fase da fábrica, o faturamento estimado para 2014 é de R$ 40 milhões. A perspectiva da Geociclo é de que em 2015 esse resultado alcance os R$ 90 milhões, com uma produção de 80 mil toneladas. A Geociclo tem contratos assinados com três usinas sucroalcooleiras e mantém negociações com outras localizadas nos estados de Minas Gerais, São Paulo, Goiás e Mato Grosso.

O fertilizante

O primeiro produto desenvolvido pela Geociclo, o fertilizante organomineral Geofert, conta com matéria orgânica obtida a partir do tratamento de resíduos orgânicos, associada aos nutrientes minerais. Além de dar uma destinação ambientalmente correta aos resíduos de outras indústrias, o fertilizante se destaca por garantir maior produtividade quando comparado com os tradicionais adubos minerais, resultando em um significativo aumento na lucratividade do negócio para o agricultor.

O fertilizante pode ser produzido a partir vários tipos de resíduos sólidos orgânicos. Inicialmente, os principais resíduos utilizados são os da criação de aves, como o esterco in natura ou a cama de aviários, e a torta de filtro de cana-de-açúcar, um subproduto das indústrias sucroalcooleiras. A empresa já desenvolveu tecnologia para o tratamento de outros tipos de resíduos tais como resíduos florestais, industriais, de grãos e animais. As vantagens físicas, químicas e biológicas foram comprovadas em mais de 50 experimentos agronômicos baseados em metodologia científica realizados com diversas instituições de pesquisa do país e em diversas culturas – o fertilizante da Geociclo obteve aumento médio de 20% de produtividade. Os experimentos apontaram ainda que o Geofert traz diversos benefícios adicionais ao agricultor, como a melhoria da sanidade das plantas, a recuperação de solos degradados e o aumento da vida útil de equipamentos.

Os experimentos foram realizados nas culturas de cana-de-açúcar (plantio e soqueira), soja, milho, sorgo, café, milheto, eucalipto, seringueira, tomate, batata, pastagens, entre outras culturas. As análises foram coordenadas por uma equipe de pesquisadores altamente qualificados, em conjunto com instituições renomadas do setor como a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e a Escola Superior de Agricultura Luís de Queiroz (Esalq/USP), e seguiram um protocolo que atende aos mais rígidos requisitos científicos exigidos.

O fertilizante é o resultado de uma série de inovações combinadas em um único produto, além de investimentos na realização de experimentos nos últimos três anos, na concepção de projeto industrial e na construção de planta industrial em escala piloto. O processo de fabricação consiste na caracterização físico-química e microbiológica do resíduo. De posse dessa caracterização o resíduo é tratado e descontaminado por meio de compostagem assistida com a aplicação da biotecnologia. Em seguida, adiciona-se uma carga mineral de macro e micronutrientes à matéria orgânica. A composição é, então, transformada em um fertilizante organomineral em forma de pellet e com efeito de liberação gradual de nutrientes. Ao longo de todo o processo, a produto passa por um rígido controle de qualidade e um monitoramento minucioso.

O fertilizante Geofert pode ser aplicado com os mesmos equipamentos utilizados pelos produtores rurais na adubação mineral tradicional.

Equipe qualificada

À frente da área de P&D da Geociclo está uma equipe multidisciplinar e qualificada. A empresa tem uma estrutura tecnológica forte e diferenciada, com diversos laboratórios, área de experimentação e unidade experimental.  A companhia desenvolveu não apenas a tecnologia para o tratamento de resíduos e fabricação de fertilizante organomineral, mas também equipamentos, processos e metodologias de controle de qualidade. No pipeline da companhia, há outros seis projetos de P&D focados nos mercados de agronegócios e mineração.

A empresa conta com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) em três projetos. A entidade já financiou quase R$ 27 milhões em pesquisas da Geociclo. Além disso, a companhia desenvolve um plano de investimento contínuo em P&D&I, que compreende a captação de recursos para os projetos de tecnologia e a primeira unidade industrial.

Composição acionária e board

A Geociclo é uma companhia de capital fechado que tem como sócios a Performa Key, com 20% de participação; a Mantiq Investimentos, com 40 % e o empresário Olavo Monteiro de Carvalho, presidente do Grupo Monteiro Aranha, sócio majoritário e fundador da empresa, que detém 40% das ações da empresa. Ernani K. Judice é o presidente do Conselho de Administração da Geociclo e Wellington Colombo é o CEO. A empresa tem sede administrativa no Rio de Janeiro e operações em Minas Gerais.

O mercado

A população mundial passará de 6,2 bilhões em 2000 para 8,3 bilhões em 2025, enquanto que a demanda por alimentos passará de 2,45 bilhões de toneladas para 3,97 bilhões de toneladas no mesmo período, um aumento de aproximadamente 62%. Se mantido este ritmo de crescimento, a produção mundial de alimentos precisará dobrar até 2050 segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). A geração de resíduos também registra um aumento brutal – nos últimos 20 anos, cresceu 75% em todo o mundo (Biominas Brasil).

No Brasil, há muitas terras agricultáveis no território nacional, mas a maior parte é de solo de baixa fertilidade. Por isso, há demanda por fertilizantes mais eficientes, que possibilitem maior produtividade para o agricultor. O consumo de adubo tem crescido anualmente 5% em volume durante os últimos 10 anos no país e o gasto com o produto representa de 25% a 50% do custo de produção no Brasil.

O mercado brasileiro de fertilizantes é gigantesco – é o quarto do mundo e movimentará mais de U$ 20 bilhões nesse ano, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos. Além disso, a produção agrícola no país se expande para áreas em que o solo tem baixa fertilidade, como o Cerrado e a região conhecida como MAPITO (Maranhão, Piaui e Tocantins). Porém, em média, 70% das matérias-primas para produção de fertilizantes são importadas. Por ser mais eficiente na utilização dos nutrientes minerais, o fertilizante Geofert é menos dependente da importação.

A tendência de crescimento deste setor é enorme, pois o Brasil é o país que possui a maior área agricultável disponível dentre os principais players do mundo, porém com solos de baixa fertilidade.

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